Yleon Zeravla - Poesia Para Cada Momento


 

Yleon Zeravla

16/06/1929 - 17/02/2005

* Yleon Zeravla retratado por Ramiro Hermínio - óleo sobre tela - 2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 18h53
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Série Vida - Nascer

Rasga a carne, dor incontida,
E um vagido anuncia uma nova vida.
Busca, logo, de sua mãe o regaço
E reclama ingente seu espaço.

Ainda não anda. Se atem à tutela
Daquele doce carinho que vela.
O alimento, o pelicano da lenda.
Seu metabolismo um apenso da agenda.

Cresceu. Já é um ser inteligente.
Faz jus ao aprendizado, é exigente.
O imenso mundo não o desencoraja.
Se lhe apõem escoras para que haja.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 08h20
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Sofisma

Nada a fazer. Nada a me afligir.
Nada acontecendo, olhos fechados.
Nada de odores, nada a se ouvir.
Nada a sentir, nem apalpados.

Afinal. O que é o nada? A inexistência?
O vácuo absoluto não ocupado?
Nenhuma visão, a inconsistência?
Sem som, sem olfato, nada, tudo parado?

Será a negação do ser?
Uma discussão sobre o vazio?
O que não existe. Não ver?
Um já apagado pavio?

Mas se estou discutindo eu sou.
Se fui criado, penso, existo.
Se ponderando, pensando eu vou,
O que Deus pensará disto?

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 18h23
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Sirva-se de Felicidade
Fim de semana

Para a busca insólita de satisfação sensorial,
Um ambiente propício às afinidades fecundas.
Um auditivo escolhido, suave, harmonal,
Emoldurado de arte mística e profunda.

Os ponteiros freiam seus giros apressados,
Sob os eflúvios etílicos, dosados a contento.
A tranqüilidade se instala pelos ingentes cuidados,
Absorvem-se sólidos e líquidos sem constrangimento.

Só, então, notamos que o sol já vai alto.
Desfizeram-se os rubros da aurora.
Das posses iniciais nada é falto.

É hora de voltar ao familiar convívio.
Plácido e sereno, despido de traumas, agora.
Recarregado para semanas de atividade.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 11h35
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Depressão

Quão frágil se faz minha alma,
Obtusa, feia, pesada, cheia de tralha.
Opressa, sem destino, sem calma,
Sensível a um sopro, um teto de palha.

Apeguei-me a obsessivo anseio,
Sem desculpar-me sequer uma falha.
Criando um perigoso meio,
De perder importante batalha.

Valeu-me, então, Freud, medicina...
Que apartaram consciente e inconsciente.
E minha alma se refez leve, menina,
Quando eu já era quase um demente.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 21h52
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E... O Tempo

É o drama eterno dos ponteiros,
Que giram se não lhes falta corda.
São horas, décadas, anos inteiros,
Mil passagens que não se recorda.

Se o desgaste. O atrito da vida,
O mover das peças constante.
Diminuem o ritmo da vida,
Não interrompem o obstante.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 15h01
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Acredite

Não esmoreçamos. Nos movem a esperança.
É ter a crença que em um dia qualquer,
Como resultado de nossa grande confiança,
Não tenhamos mais um problema, sequer.

Não nos importemos com o caminho a trilhar,
Mesmo que, ásperos, nos consumam energias,
E errando, mil vezes tenhamos que voltar,
Impedidos, cheguemos dos fatos às vias.

Acreditemos que além, talvez muito perto,
Esteja implícita nossa redenção,
Sem dúvida tudo absolutamente certo,
Uma perene felicidade, desde então.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 07h25
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Jesus Carpinteiro

Se o que professa o pai,
Ao filho influencia.
Aquilo que n'alma vai,
Sabido era da profecia?

Tratando de cortar o madeiro,
Atento ao que tão bem fazia.
Será que dominava o carpinteiro?
O que lhe aconteceria?

Eis senão quando acontece,
O que José não sei se sabia.
Dos céus um anjo desce.
E em nome de Deus convoca Maria,

Em um'auréola de luz,
A Virgem sem José concebia.
Ao menino de Deus, Jesus,
Que ao mundo salvaria.

Será que José acreditava,
Que Quem ali agora vivia,
Também o madeiro cortava,
Herdando sua carpintaria?

Operário um grande coração,
Exemplar, assumiu a paternidade,
Ensinou-lhe justiça e dedicação,
Muito amor e humildade.


Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 19h00
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Dança e Religião

Talvez não seja um indagador preparado,
Talvez exorbite de minha decrepitude.
Melhor seria não tomar tal atitude,
Mas... Quanto falta para chã ser rito sagrado?

E o punk que tão bem comunica expressão,
Que desencadeia e agride com falas irreverentes?
Não estaria bem no púlpito falando aos crentes?
Toda a força de tradicional oração?

Não me consta qual era a dança dos nazarenos.
Sei que as moças da Arábia afora,
Recatadas cobrem o rosto, deixando a barriga de fora.
Salomé decapitou, dançando por motivos somenos.

Bumbuns balançando ao ritmo de instrumentos,
Dando voltas como dá voltas o tornado.
Procuram bênçãos dos céus com seu sapateado.
Trejeitos impudicos até o coma dos pensamentos.

Aos índios vem a força que nunca se acaba,
Imitando o significado de seu divino trovão.
E socam a terra da arena, batendo os pés no chão,
Seguindo o ritmo maestro de seu morubichaba.
 

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 12h14
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Danadinhos

Ali no universo dos aposentados,
Dois octogenários ordenam memórias.
Já a bastante tempo sentados,
Competindo suas bravatas e glórias.

Eis que duas ancudas, meneantes gazelas,
Passam, educadas lhes concedendo um sorriso.
Que boas e lindas garotadas eram aquelas.,
Eram, mesmo, de fazer perder o ciso.

Cessaram os velhos, depressa suas falas.
Levantaram-se de seu banco, incontinente
Apoiados na segurança de suas bengalas.

O mais afoito dispara: - Vamos aborda-las quando passarem?
Responde o mais comedido e decente:
- Mas ... E se elas toparem?

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 17h34
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O Sacana

É o seu amigo que o engana,
O ateu que sua reza profana
O sádico que sua alegria empana,
Que ao necessário lhe dá uma banana.

O agressor em fúria insana,
O dentista que seu dente trepana.
O borracheiro que a rosca espana,
Quem lhe deseja chuva no fim de semana

Um trapaceiro em uma gincana,
O presunçoso que por pouco se ufana.
O "chato" em constante atazana,
O nada que se faz de bacana.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 18h10
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O Miserável

Ali jogado em espaço não contestado,
Trôpego, mal sentado, dali não se arreda.
Apura seus débeis sentidos para o esperado,
O arremesso, o tilintar de uma moeda.

Horas se passam. O velho feltro que cobra,
Tão vazio quanto seu esfomeado ventre.
Como erguer-se em busca de uma sobra?
Queda-se cada vez mais descrente.

Cego, não pode avaliar um doado.
Faz o censo pelo som que conhece.
Ah! Caiu algo. Talvez a quota almejada.

Usa o tato. Procura verificar o seu fado.
Hora drástica. Tristeza? Alegria? Uma prece.
Nada. Apenas uma arruela enferrujada.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 11h49
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Nosso Anjo

Imagem de pureza, realmente ninguém,
Loas aos céus de onde a imagem provem.
Acorre a proteger-nos na última instância,
Criando benfazeja circunstância.

No último drástico momento, a solução,
É Deus protegendo a sua criação
Chamamos a tal, anjo alado,
Sempre presente ao nosso lado.

Nascemos e eles ali estão,
Dirigem seguros nossos passos,
Corrigem desvios, obstam o perigo.

Anjos são de Deus manifestação,
Harmonia da vida os compassos,
Proteção perene, o eterno abrigo.

* À minha neta Camila

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 16h39
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Um Regato

Canta o cântico perpétuo das águas,
Buscando o seu destino o mar.
Chora às vezes as suas mágoas,
Contra q uem se esmera no sujar.

Cada obstáculo contorna paciente,
Demore quanto demorar.
Seu determínio se faz docente,
A quem sério a ele observar.

Se encascata em um desnível,
Num arremesso cai, se oxigena.
Meio às pedras faz-se invisível,
Logo mais uma superfície serena.

Samambaias se perfilam ao passar,
Batráquios entoam loas.
Libélulas riscam o espelho ao roçar,
Os remansos das calmas lagoas.

E quando a bátega, o aguaceiro,
Se lhe engrossa o caudal.
Já não é regato, é ribeiro,
Violento, pode até causar mal.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 21h01
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Experiência

Se seguires sempre na mesma direção,
Voltarás um dia ao local da partida.
Refazendo, de novo, a mesma excursão,
A visão que tivestes será repetida.

Será muito mais fácil, todavia.
Mas, teu pisar será mais seguro,
Consciente, a palmo e palmo sua via,
Que não palmilharás no escuro.

Experiência é o fruto da observação,
Olhar e comparar cada virada
Irá valorizar, muito, cada ação.
Sempre mais competente ao voltar.

Yleon Zeravla
16/06/1929 - 17/02/2005



Escrito por Yleon Zeravla - Em memória às 13h45
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